quarta-feira, 25 de março de 2015

Me perdoe, mas Ausência.

 Sabe moço, fiquei por muito tempo pensando no que eu poderia te dizer agora e a única coisa que me passa pela cabeça são um dos meus poemas favoritos de Vinicius de Moraes. Aquele mesmo poema que eu prometi que nunca dedicaria a você. Mas eu sinto muito. É necessário.
 Eu sei que sofremos para chegarmos até aqui. Sei que você e eu, em minha humilde opinião, formamos um belo casal, mas mesmo com tudo o que passamos e tudo o que somos não dá mais. Eu peço mil desculpas por isso, mas é necessário.
 Eu realmente faço minhas as palavras de Vinicius “Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.” E assumo que nada morreu em mim ainda. Eu ainda te amo como antes e a probabilidade de eu me esquecer de você rapidamente é quase inexistente. Mas isso tudo é necessário.
 Eu sei que, mesmo você não me dizendo nada sobre isso e estando sempre com um sorriso no rosto, eu nada poderei dar a você senão a infelicidade de me ver eternamente infeliz. Você me conhece e sabe que o que digo é verdade.  Mesmo que o seu sorriso tenha arrancado o melhor de mim sempre que pode, ele não pode mais funcionar.
 Hoje, eu abro o meu coração e te deixo sair para que entre em outro coração e o faça tão feliz quanto me fez um dia e sempre fará com minhas memórias suas.
 Vá! Ame outra. Encoste sua barba em outro rosto. Converse sobre livros que só você gosta com outras pessoas... Só não se esqueça de que em quem te deu os ouvidos para escutar você e suas ideias novas fui eu. Só não se esqueça de que quem enfrentou poucas e boas contigo fui eu.
 Libero o seu amor e todas as coisas boas que ele poderia me trazer. Vá e faça outra mulher muito feliz. Assim como você me fez.
 Sinto muito por isso, meu bem, mas acabou por aqui.
 Vá e seja feliz.
 De sua eterna dona, mesmo que sem você querer.

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.”
                                                - Ausência, Vinicius de Moraes.




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